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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Chove dentro do Museu de Planaltina



Durante uma tempestade não adianta buscar abrigo dentro do Museu de Planaltina. São tantas goteiras que chove literalmente dentro do espaço. O nosso jornalista colaborador Rodrigo Otávio, morador da cidade, fez o flagrante durante uma reportagem no local. Assista ao vídeo e veja como fica a situação do museu. Deplorável! Os moradores não merecem ver um patrimônio histórico da cidade tão abandonado. A idéia inicial da nossa equipe era apresentar o museu, mostrar o valor que tem para a cidade. Mas foi triste ver o descaso no local.
A administração de Planaltina informou que aguarda autorização da Secretaria de Cultura para fazer os reparos no telhado do museu. Mas nenhum prazo foi dado para o conserto.
Fique por dentro:
Museu Histórico de Planaltina é o maior patrimônio de valor histórico de Planaltina, o museu havia sido desativado no ano 2000 e passou por uma restauração minuciosa em 2007. A reforma custou R$ 471.482,75 e foi realizada em parceria com a Administração Regional de Planaltina. As estruturas do Museu traz um estilo colonial rústico, característico de construções do início do século 20. O Museu Histórico e Artístico de Planaltina foi construído por Afonso Coelho Silva Campos, inaugurado em 22 de abril de 1974 e tombado como Patrimônio Histórico Nacional em 1987. Hoje o Museu encontra-se protegido pela inscrição do Livro II – Edifícios e Monumentos Isolados, pelo Departamento de Patrimônio Histórico e Artístico (Depha). A construção também serviu de residência, até 1973, quando o GDF adquiriu o imóvel mediante desapropriação amigável, visando preservar as tradições e características culturais de Planaltina. O Museu fica na Praça Salviano Guimarães, nº 24, Setor Tradicional, Planaltina.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

PLANALTINA - UNIÃO EM TORNO DO VALOR DA MEMÓRIA


(Rodolfo Borges)
Fotos: Rafael Ohana/CB/D.A Press

Grupo de moradores se organiza para defender o centro histórico e tenta conscientizar vizinhos dos benefícios de preservar o patrimônio da cidade



Um grupo de pessoas com projetos diferentes, mas com o mesmo objetivo de preservar a história. É assim que Simone Macedo define a Associação dos amigos do centro histórico de Planaltina, fundada e presidida por ela desde 2007. Depois que parte da estrutura da Igreja São Sebastião foi depredada, há dois anos, alguns moradores da região perceberam que era preciso cuidar do patrimônio da cidade antes que fosse tarde demais. Hoje, o grupo, composto por mais de 50 pessoas, trabalha pelo tombamento do centro histórico e tenta conscientizar moradores e donos de casarões antigos sobre a importância da preservação.
Entre as principais estratégias do grupo está levar arte e cultura para dentro dos casarões. O Hotel Casarão, que existe desde 1962, já cedeu parte de sua estrutura para a construção de um Espaço das Letras, com biblioteca e atividades para jovens da região. “Tentamos fazer com que o proprietário se apaixone por seu casarão. Ele não deve encarar a preservação como obstáculo”, explica Simone.

Curso
Próximo ao hotel fica a sede da associação, também em um antigo casarão, que está sendo reformado e deve abrigar projetos de preservação — os Amigos do Centro Histórico pretendem criar um curso de educação patrimonial em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Casa do Idoso é outro local preservado, mas o interior da residência onde morava dona Nigrinha, na Rua 13 de Maio, mostra o mal que o tempo vem fazendo a Planaltina. Estruturas de barro originais que davam sustentação à casa estão expostas no interior do terreno e a casa mal se sustenta em pé.
O centro histórico de Planaltina fica ao redor da Praça Salviano Guimarães, no quadrilátero localizado entre as ruas Sergipe, 13 de Maio, 1º de Junho e Hugo Lobo. São dezenas de antigos casarões, que deram lugar a casas depois do parcelamento e venda dos outrora extensos terrenos. Mas ainda restam estruturas originais ao redor da praça, como a fachada do Casarão Azul, uma das mais bonitas e menos preservadas da cidade. A associação já fez um orçamento para a restauração e negocia a obra com o proprietário, que não mora na casa. 
Também está nos planos dos Amigos do Centro Histórico construir um corredor cultural na rua do Casarão Azul e restringir o trânsito de carga pesada pelo centro histórico. “A passagem de ônibus e caminhões danifica a estrutura das casas, que já estão muito fragilizadas”, diz José Rui Lima Jorge, um dos diretores da associação. Na cidade, apenas a Igreja São Sebastião e o Museu Artístico e Histórico de Planaltina são protegidos pelo patrimônio histórico. Os casarões que restaram são preservados graças a um acordo de cavalheiros.
Para ajudar na conservação da cidade, o professor e amigo do centro histórico Flávio Pau Pereira, 42, vem trabalhando o tema da preservação em sala de aula. “Meus alunos sabem o que é um pilão e um moedor. Apresento esses instumentos a eles e os levo aos monumentos históricos para que desenhem a igreja e o museu”, conta. Outro envolvido no trabalho é o professor de geografia Rafael Rodrigues Queiroz, 25. “Quem mora nessas casas não tem consciência da importância de preservar a história do local. Mas vamos trabalhar para mostrar que é possível”, resume.

1- DESRESPEITO
Em fevereiro de 2007, um mourão (pedaço de madeira utilizado para amarrar cavalos) do século 19 foi arrancado e utilizado para fazer duas pequenas fogueiras a 40 metros da porta da igreja. A peça já estava bem desgastada e, depois do ocorrido, foi substituída por uma réplica

2- HISTÓRIA ORAL
O Casarão Azul foi residência do primeiro médico de Planaltina, conhecido como dr. Osana, que teria usado a construção como hospital por algum tempo. A história do casarão é uma das muitas que os amigos do centro histórico tentam recuperar. Como são poucos os registros escritos, é preciso buscar relatos orais dos moradores mais velhos.

Para saber mais:
Igreja de São Sebastião nasceu com promessa
O local onde se encontra a Igreja de São Sebastião foi doado em 1811 pelas famílias Gomes Rabello e Carlos Alarcão. Na época, a região foi vítima de uma epidemia e as famílias prometeram ao santo que ergueriam uma capela em seu nome caso escapassem da doença. A capela foi construída inicialmente em adobe e palha e finalizada em 1870, mas a paróquia mesmo só surgiu 10 anos depois.
Tombada pelo Governo do Distrito Federal em 1982, a igreja foi restaurada em 1984 por meio de convênio entre a Administração Regional de Planaltina, Pró-Memória e a extinta Secretaria de Educação e Cultura do DF. Hoje, já apresenta rachaduras de cima a baixo em vários pontos. Uma das janelas não pode nem ser aberta, sob risco de cair, e o chão, que antes era de madeira, foi substituído por pedras.

Personagem da notícia
Casarão virou escolinha de futsal

É no casarão de dona Nigrinha que o técnico e professor de futsal Alécio Gomes (foto), 57 anos, toca sua escolinha há oito meses. São 250 jovens, de 4 a 18 anos, que recebem lições da modalidade e de cidadania de um técnico bicampeão brasileiro de futsal (feminino, em 1996, e masculino, em 1998). “A casa pertencia a Zé Baiano, que trabalhava com madeira como ninguém, e dona Nigrinha. Depois, passou para uma filha de criação”, lembra Gomes, que estabeleceu como meta extrair talentos esportivos de Planaltina.
Jogador profissional por 12 anos, ele foi o primeiro professor de futebol de vários jogadores de expressão em nível nacional, inclusive do zagueiro Lúcio, capitão da Seleção Brasileira de futebol. “Mas eu não gosto de falar sobre isso, para as pessoas não acharam que quero aproveitar o sucesso dos outros”, diz. Toda segunda, quarta e sexta-feira, o professor leva os alunos das 8h às 11h30 e das14h às 17h30 para a quadra poliesportiva da Praça São Sebastião

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sem Eira Nem Beira - Carnaval do Centro Histórico de Planaltina-DF



Olá Amigos,
É o Carnaval Sem Eira Bem Beira...
O bloco sai no domingo dia 22 de fevereiro atrás da Orquestra de Frevo Valter Feitoza. A concentração será na Praça da Igrejinha São Sebastião, seguindo pelas ruas do nosso Centro Histórico, terminando na pracinha do Museu ao som da Banda Sem Eira Nem Beira.
Como em 2008, faremos um carnaval diferenciado chamando a atenção para nosso patrimônio cultural, histórico, natural e imaterial.
Prestigiem, contribuam ...
Contatos: Israel Colonna e Carminha – 3388-1493
Simone – 9279-0003

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

PRAÇA SALVIANO MONTEIRO (PRAÇA DO MUSEU)

Olá pessoal, meu nome é Ana Laterza e eu vou explicar abaixo um dos projetos que está sendo desenvolvidos pelos C.A.S.A.S (Centro de Ação Social em Arquitetura Sustentável), que é um escritório regido por alunos da UnB, mais especificamente da faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O projeto é para a revitalização da Praça Salviano Monteiro, e conta com o professor Frederico Flósculo como orientador. Eu sou a coordenadora do grupo de projeto, do qual fazem parte também a Anatália Araújo, a Audileny Maria e o Cainã Vieira. Os alunos Leonardo Góis, Giulia Garbaccio, Mario Tarallo e Fernanda Goulart também participaram de diferentes etapas do trabalho.

O Centro de Ação Social em Arquitetura Sustentável - CASAS é um grupo de pesquisa e extensão universitária, aberto a todos os estudantes regularmente matriculados na Universidade de Brasília – UnB (Campus Darcy Ribeiro) e, embora seja vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, tem sua administração exercida por um conselho de estudantes, independente de fins político-partidários ou religiosos.
O Escritório Modelo tem como objetivo principal contribuir para a melhoria da qualidade do ensino de graduação, trabalhando junto à comunidade e colocando em prática o conhecimento e a tecnologia gerados e acumulados na Universidade.
O C.A.S.A.S. atende comunidades sem possibilidades sócio-econômicas de terem acesso aos trabalhos desenvolvidos por profissionais da área da Arquitetura e do Urbanismo, distribuindo eticamente a produção universitária e não interferindo no mercado de trabalho de profissionais em exercício regular da profissão.
O trabalho desenvolvido pelo escritório tem como um de seus objetivos proporcionar às comunidades acima descritas a visualização das funções e necessidades da atuação do profissional Arquiteto e Urbanista na construção de um espaço sustentável e digno de ser habitado, ampliando o campo de trabalho destes profissionais por meio do reconhecimento e conscientização destas populações, além de promover a troca de experiências entre universidade e comunidade.

A PRAÇA
A UnB de Planaltina-DF realiza um curso de extensão em educação ambiental, sob coordenação da professora Nina Laranjeira. Uma moradora local, Simone Macedo, participa do curso, e o seu projeto é a Revitalização da Pracinha do Museu (Praça Salviano Monteiro Guimarães), principal praça histórica da cidade. O objetivo, ela descreve, é: " fortalecer um vínculo da comunidade com a sua cultura regional, despertando a sua identidade e o compromisso com o patrimônio histórico e cultural da cidade". Para isso, Simone reuniu interessados e fundou a Associação dos Amigos do Centro Histórico de Planaltina. O projeto possui um plano de ação bastante abrangente, e uma das ambições é reformar a praça, que está sendo subaproveitada. A Associação então entrou em contato com o Centro de Ação Social em Arquitetura Sustentável (C.A.S.A.S), requisitando um projeto paisagístico para o local.
"A Praça Salviano Monteiro Guimarães é patrimônio histórico do Distrito Federal, tombada pelo Decreto nº 6939 de 19/08/1982. Possui vários casarões do século XIX e início do século XX, algumas ainda com fachadas conservadas, hotéis, escolas, residências e comércio em geral. Nessa praça que se hospedaram os membros das primeiras expedições que vieram para explorar e demarcar a área do DF. Esse patrimônio histórico e cultural já sofreu grandes modificações e hoje está ameaçado.(...)

Das 13 edificações da praça, três são instituições: o Museu Histórico - primeira residência da cidade, tombada pelo IPHAN/Depha como patrimônio histórico do DF, a casa do idoso: Gabriela Guimarães e o CEMEC - Centro Murialdo da Criança e do Adolescente “Etelvina da Silva Campos”. Dois hotéis: o Hotel da Praça e o Hotel Casarão, quatro residências, um casarão fechado, uma floricultura, um bar e um convento de freiras onde também funciona uma escola. A praça que era a vida da cidade, atualmente enfrenta problemas de toda ordem e é um espaço pouco usado pelos moradores. Seus jardins mal cuidados refletem o estado de abandono. Sua revitalização abrirá uma discussão importante sobre a preservação de todo o conjunto arquitetônico antigo da cidade e da necessidade de sua utilização para divulgação da história e da cultura regional, e, também, para a integração e lazer da comunidade local." (Trecho extraído do projeto da moradora Simone Macedo).   

(situação atual da praça)


DIAGNÓSTICO

O acesso à praça não está de acordo com as exigências da NBR 9050, que normatiza a acessibilidade aos espaços edificados. Apesar das visíveis tentativas de adequação, as rampas ainda não possuem corrimãos, inclinações satisfatórias ou texturização adequada. O piso encontra-se danificado, principalmente devido às raízes das árvores, mas também pelo fato da própria paginação ser deficiente em alguns locais, como por exemplo, na pista de patinação. Existem também exageradas diferenças de níveis, canteiros gramados e arbustos, que impedem a livre circulação de pedestres pelo ambiente. A praça acaba sendo fragmentada em várias praças menores, cada uma com uma característica diversa, o que a torna um espaço fragmentado e sem unidade.
A área próxima ao bar da praça, na frente do Lar dos Idosos, é a mais iluminada e utilizada, também pelo fato de ser a mais plana e desimpedida. Muitos vendedores com barraquinhas se apropriam do local para exercerem suas atividades, o que também contribui para a aglomeração de pessoas nesse canto da praça.
Na frente do hotel "O Casarão", há um ambiente bem arborizado e sombreado, com alguns nichos que sugerem espaços de introspecção. Entretanto, os jardins suspensos fazem com que algumas áreas sejam inacessíveis e acabam se tornado espaços residuais.
A região que fronteia o Museu de Planaltina é a mais deficiente, repleta de caminhos tortuosos, configurando um labirinto inutilizado, nem um pouco convidativo à contemplação da edificação, que acaba sendo desvalorizada pela configuração da praça.
O palco de atividades e seu entorno árido são a primeira visão de quem entra na cidade pela Avenida Goiás, entretanto não dizem nada a respeito da praça e são raramente utilizados. Quando ocorre algum evento, é improvisada uma cobertura de lona, caso contrário o palco se torna um ambiente hostil, um concretão exposto a forte incidência solar.
Apesar de a praça ter sido criada para quebrar o perigoso fluxo de automóveis da Avenida Goiás, o eixo transversal da praça continua a ser utilizado como travessia por pedestres e ciclistas, o que constitui uma ameaça aos usuários, em sua maioria idosos. O ambiente também possui mobiliário urbano deficiente: a iluminação é precária, não existem lixeiras ou banheiros públicos, e os bancos encontram-se em mal estado de conservação.
As árvores e os canteiros, apesar de possuírem grande potencial paisagístico, não estão sendo aproveitados da melhor maneira possível. Os meios-fios e os bancos caiados também não colaboram com a aparência da praça, apenas reforçam o seu aspecto mau cuidado.É preciso reavaliar a praça quanto aos seus conceitos. O seu espaço deveria funcionar como um anexo do museu e dos casarões históricos, remetendo à memora e à história dos planaltinenses, entretanto isso não acontece. A praça deveria ter como foco os moradores da vizinhança, ao mesmo tempo se afirmar como ponto turístico, mas ao invés disso, passa a maior parte do tempo desocupada e sem vida.


O PROJETO

Foi realizada uma entrevista com 30 (trinta) moradores do entorno da praça. O projeto foi elaborado com base nos resultados, procurando atender aos anseios de todos.
A principal proposta é limpar o espaço e liberar os fluxos. Sem barreiras ou obstáculos, a praça se tornaria uma página em branco, um espaço multiuso para qualquer tipo de atividade que possa vir a se desenvolver. Os próprios usuários que passariam a freqüentar o ambiente se tornariam o mobiliário da praça. Seriam implantados bancos no perímetro, e o máximo de árvores existentes seria mantido. Todos os canteiros, arbustos, a arquibancada e o palco seriam substituídos por um traçado mais limpo, sintético e racional.
Havia na praça um coreto, que foi demolido, mas foi relembrado por diversos moradores durante a pesquisa realizada. A idéia é reconstruí-lo, porém com um partido funcional. O desnível da praça seria aproveitado para criar, a partir do coreto, dois níveis de atividade: No superior, aconteceriam as atividades clássicas desse tipo arquitetônico (apresentações, banda, atividades culturais, etc.). No inferior, seria instalada uma loja de artefatos turísticos, dentro da qual haveria banheiros públicos e bebedouros. A sua manutenção ficaria a encargo da administração do museu.
Esse desnível criado serviria para amenizar o fluxo transversal de ciclistas na praça, assegurando maior segurança aos idosos que freqüentam o ambiente.
Haveria também outro elemento marcante na praça: um caramanchão linear sombreando o percurso longitudinal da praça, com bancos-jardineiras na base da estrutura.
Toda a paginação da praça seria de concreto pigmentado, com bordas bem demarcadas nas argolas das árvores, limites de canteiros, meio-fios, calçadas, etc. A questão da acessibilidade seria tratada com diferenças de texturas, rampas com inclinações adequadas e banheiros bem dimensionados.O projeto se encontra em processo de detalhamento, e há grande possibilidade de execução, pois as autoridades já se demonstraram interessadas, e a Associação de Amigos do Centro Histórico se mantém na luta pela revitalização da praça.
(bancos da praça, do caramanchão, do bosque da praça e caramanchão)

(projeto para a praça - planta)

(coreto - planta baixa do nível inferior)